Goiás acompanha o movimento nacional de recuperação da cobertura vacinal infantil iniciado em 2022, após o impacto da pandemia de covid-19. Apesar da recuperação, das 13 vacinas de rotina destinadas a crianças menores de 5 anos, apenas duas atingiram as metas no país em 2024: a BCG (96,2%) e a primeira dose da Tríplice Viral (95,6%). As outras 11 permanecem abaixo do esperado, com média nacional de 87,6%.

No Estado, a realidade se repete, com unidades básicas de saúde de Goiânia e do interior trabalhando estratégias de busca ativa e ampliação de horários para melhorar o acesso da população. Os dados constam em estudo divulgado nesta semana, pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que analisou as coberturas vacinais entre 2010 e 2024 com base no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).

O levantamento mostra que a queda começou em 2016, antes da pandemia. A recuperação iniciada em 2022 tem sido gradual, com o protagonismo dos municípios aparecendo como fator determinante. Em Goiás, profissionais de saúde e gestores locais relatam avanços nas estratégias de imunização, ao mesmo tempo em que enfrentam obstáculos relacionados ao abastecimento e à logística de distribuição das doses.

Desafio anterior à pandemia
A redução nas taxas de imunização não é consequência exclusiva da covid-19. O estudo da CNM identifica 2016 como o ano em que as coberturas começaram a cair de forma sustentada no Brasil.

Entre 2020 e 2021, o cenário se agravou com as restrições sanitárias e o receio da população em procurar as unidades de saúde. A partir de 2022, observa-se uma recuperação, mas ainda insuficiente para retomar os patamares históricos que fizeram do país referência mundial em imunização.

Em Goiás, o período da pandemia também impactou as coberturas, com famílias adiando a vacinação dos filhos e unidades de saúde reorganizando seus fluxos de atendimento.

Vacinas que preocupam

Algumas vacinas apresentam déficit prolongado no país. A imunização contra poliomielite não alcança a meta de 95% desde 2016. A vacina contra Hepatite B está abaixo do recomendado desde 2014.

Pentavalente, Pneumocócica, Rotavírus, Meningocócica C, Febre Amarela, Hepatite A, DTP e Varicela também seguem aquém dos índices estabelecidos.

O sarampo exemplifica os riscos da baixa cobertura. Considerado eliminado no Brasil em 2016, o vírus voltou a circular em 2018, período que coincidiu com a queda nas taxas de vacinação. Em Goiás, a atenção se mantém para evitar novos surtos.