
O Ministério Público de Goiás recomendou a suspensão, por 90 dias, do concurso público da Câmara de Goiânia. A medida busca garantir a apuração de possíveis irregularidades no certame. O pedido foi encaminhado ao presidente da Casa, Romário Policarpo, que tem prazo de dez dias para se manifestar.
O processo seletivo, organizado pelo Instituto Verbena, acumula queixas sobre fragilidades na aplicação das provas. Entre os problemas citados estão ausência de biometria, falta de detectores de metal e controle considerado insuficiente de candidatos nos locais de prova.
Um dos pontos mais sensíveis envolve candidatos aprovados com vínculos com a banca organizadora. O caso mais destacado é de um servidor da Universidade Federal de Goiás, classificado em primeiro lugar, que mantinha relação recente com o Instituto Verbena. Segundo o MP, ele atuou como bolsista, participou da elaboração de questões e esteve em evento institucional dias antes da prova.
A investigação também menciona conexões familiares do candidato com o instituto, ao incluir parentes envolvidos em atividades de logística e fiscalização. Outro caso envolve uma candidata aprovada entre os primeiros colocados, apontada como colaboradora frequente da banca e próxima de integrantes da equipe de revisão.
O documento do MP lista ainda outros aprovados com possíveis vínculos com o Instituto Verbena, a UFG ou a própria Câmara. O órgão alerta para eventual responsabilização de gestores caso a recomendação não seja cumprida.
Em manifestação anterior, o Instituto Verbena informou que o candidato citado declarou possível conflito antes do concurso e, por isso, foi afastado de funções sensíveis. Já a Câmara afirmou que encaminhou a denúncia ao Ministério Público e solicitou providências para apuração rigorosa dos fatos.










